Logo, os pais de Tommy, que haviam acabado de se separar, chegariam para uma reunião, convocada pela diretora para falar sobre o mau desempenho escolar e o comportamento insubordinado de seu filho. Nenhum deles sabia que a diretora havia chamado o outro.
Tommy, filho único, sempre fora feliz, gostava de cooperar e era ótimo aluno.
A responsável pela escola havia pensado, por alguns dias, em como poderia mostrar para aquele pai e aquela mãe, que as recentes notas insuficientes representavam a reação de uma criança magoada com a separação dos pais.
A mãe de Tommy entrou e se sentou em uma das cadeiras que havia perto da mesa da diretora. Em seguida, o pai chegou.
A pontualidade dos dois evidenciava sua preocupação. Eles se olharam com surpresa e irritação.
Enquanto a diretora fazia um relato do comportamento e do rendimento escolar de Tommy, rezava para encontrar as palavras capazes de ajudar aqueles pais a perceber o que estavam fazendo com o filho.
Mas as palavras não vinham.
Ela pensou, então, em lhes mostrar um dos trabalhos de Tommy, todo borrado, feito sem cuidado, achando que poderia lhes dar a dimensão da perturbação do menino.
Era uma folha de papel amarrotada e manchada de lágrimas, um dever de inglês. Ele escrevera dos dois lados da folha, sem atender a tarefa, apenas uma frase, escrita e reescrita.
Em silêncio, ela desamassou a folha e a entregou à mãe de Tommy. Ela a leu e, sem dizer palavra, entregou-a ao marido.
Primeiro, ele f ranziu as sobrancelhas, depois sua face se desanuviou. Ele ficou lendo por um tempo que pareceu uma eternidade.
Finalmente, dobrou o papel cuidadosamente e o colocou no bolso, estendendo a mão para a mulher. Ela enxugou as lágrimas e sorriu para o marido. A diretora tinha os olhos marejados, mas eles nem a notaram. Ele ajudou a esposa a colocar o casaco e saíram juntos.
À sua maneira, Deus fez aquela dedicada diretora encontrar as palavras corretas para reunir uma família. Ele a guiou até a folha do dever de Tommy, toda escrita com o angustiado desabafo do coração atribulado de um menino.
As palavras escritas foram: Querida mamãe... Querido papai... Eu amo vocês, eu amo vocês, eu amo vocês.
* * *
A união e o amor de um casal, são todo o chão da confiança e das certezas e todo o céu da esperança e dos sonhos de uma criança.
O amor do casal é o gerador do núcleo familiar, e também seu alicerce mais importante.
As crianças precisam ser amadas, é certo, mas necessitam também fazer parte do amor dos pais entre si. Necessitam ser a extensão desse sentimento tão nobre.
Quando a reconciliação não for mais possível na instituição conjugal, os cuidados e a atenção aos filhos devem redobrar, para que as consequências do divórcio sejam minimizadas às crianças, evitando traumas e sofrimentos que podem permanecer para sempre.
Mesmo quando a união estiver ameaçada, nunca esqueçamos de que as palavras corretas ainda serão aquelas que expressem o amor.
Redação do Momento Espírita, com base no cap.
As palavras certas, de Jane Lindstrom, do livro Histórias para
aquecer o coração, V.2, de Jack Canfield e Mark Victor Hansen,
ed. Sextante.
Em 11.2.2014.